Nós podíamos ter sido mais....







Foi precisamente no dia mais importante da minha vida, que nós nos conhecemos, naquela noite em que eu ficaria um ano mais velha...
Tu chegaste de mansinho com esse teu olhar de quem esconde os maiores segredos do mundo e destruíste a minha armadura, a mesma que eu levei anos a construir, a mesma que me protegeu de inúmeras desilusões românticas, a mesma que encobriu as minhas feridas. Tu mudaste o meu rumo, desataste os meus nós e tiraste me do eixo. 
Chegaste com esse teu jeitinho marrento, implicante, provocante e salvaste me da solidao que  eu tinha mergulhado, a minha vida andava meio preta e branca e tu trouxeste me cor, fizeste com que eu quisesse acreditar de novo que podia dar certo, mas houve um pequeno problema faltou-me a coragem para arriscar em nós. 


Desde que começamos a sair, que eu vivia com medo da possibilidade de  voltar a doer.

Eu olhava para as feridas que carrego em mim  e estremecia diante da possibilidade de tu virares mais uma delas . 
Eu achava que tu não eras para mim. Armei barreiras por achar que não daríamos certo, cismei que no fundo eu era mais uma diversão para ti, uma forma de tu passares o tempo, afirmei várias vezes que tu jamais prenderias-te a alguém feito eu....


Depois de uns meses e alguns passeios tu foste embora, não me disseste nada, não atendeste as minhas chamadas, não respondeste as mensagens, fiquei sem entender o que se tinha passado, tu prometeste-me que nunca me farias isso mas foste embora antes do dia nascer. Nunca fui do tipo que se apaixona fácil, acho que foi isso que te atraiu, toda aquela pressa para teres o que eu não te dei, era essa a intenção, tola fui eu que não percebi a tempo que só me querias para isso, e contudo não consegui impedir-te de ganhar-me. O prémio? Talvez, mais um coração partido. O tombo que eu dei foi grande, a decepção enorme, eu acreditei, pela primeira vez em anos, que nós podíamos dar certo. Oh se tu soubesse o quanto eu desejei que déssemos... 

Tu optaste por jogar no lugar de amar, eu dizia para toda a gente que era por medo. 
Sabes porque?? Porque era mais fácil considerar que por baixo dessa tua segurança toda existia um rapaz amedrontado em frente dessa minha mania de achar que toda a gente é um coração mole como eu...
Por isso, prefiro a versão de que por baixo dessa armadura tinha um rapaz desesperado para libertar-se daquele metal todo que prendia sua alma despreocupada , um cara exageradamente bonito, e assustado também, talvez com o coração remendado por causa de alguns amores errados, um rapaz louco para permitir-se cair de cabeça em uma nova história, mas ao mesmo tempo não sabia como vencer essa personagem criada para sua própria protecção. 
Tu eras um rapaz inteligente, racional, meigo,divertido e alegre e isso te rendia algumas medalhas, para alem disto tu tinhas espírito de campeão,e na minha opinião  o pavor da derrota fez-te desaparecer. 
Isto parece mais uma descrição de uma pessoa num poema...
Mas a verdade é que no fundo não foi nada disto que aconteceu, tu eras só mais um desses rapazes que gostam de coleccionar  bons corações, quis mais uma rapariga apaixonada para colar no teu álbum de colecção e eu feita estúpida caí na tua ladainha, não teve poesia alguma na nossa história, infelizmente, nós podíamos ter dado certo, mas tu quiseste não sentir ...
Vou fazer o que.
 Sabes aquele ditado: “sorte no jogo, azar no amor”? 
 Pronto, tu ganhaste o jogo, mas quem saiu perdendo não fui eu. 
Foi por causa de tudo isto, que eu fechei-me para o amor, pois dei amor demais a quem não merecia e que só me causava dor..
E no final, tu foste o que eu sempre temi, apenas mais uma desilusão......






Haverá sempre....








Sabes o que tenho pensado ultimamente??
É que depois de muito pensar, depois de bater muitas vezes com a cabeça na parede, eu percebi que o mundo não é um mar de rosas.
Eu não sei onde perdi, a minha capacidade de pensar, eu dei tanto de mim muito mais do que o que recebi.
Mas para quê que vivemos ao certo?
Nós vivemos para sabermos o que é certo, para fazermos o que é errado e ainda assim sentirmo-nos vivos....
Como todas as raparigas que já sofreram, depois de muito sentir, depois de gastar muitos lenços de papel com o nariz entupido é que percebi que o mundo dá muitas voltas.
Isso é um processo natural, o qual não podemos fazer nada.
Depois de vários sorrisos forçados e várias alegrias que não eram minhas, é que eu finalmente percebi que eu tinha de me afastar para curar-me.
Não havia festa, bebida ou qualquer outra coisa que ia-me fazer esquecer-te.
Não há nada que possa mudar sentimentos.
Mas uma coisa é certa, podemos aprender sozinhas a ser feliz novamente e isso vai acontecendo aos poucos.
Depois de achar que superar é a mesma coisa que esquecer, entendi que podemos lembrar das coisas sem doer mas não podemos esquecer o que já nos tirou o sono.
Como por exemplo, quando um furacão passa, as pessoas não o esquecem, mesmo depois de juntar os destroços e limpar tudo.
Por isso, não podemos passar na rua por aquela pessoa que passávamos as noites a falar e ficarmos indiferentes.
Porque vai haver sempre uma música, um filme, uma hora, uma certa saudade, um pequeno barulho na nossa alma que nos vai fazer lembrar....
No entanto, percebi que depois de muito sentir, eu vou continuar sentindo.
E que depois de muito errar, vou continuar errando..
Depois de muito aprender, vou continuar aprendendo...
E que depois de muito viver, vou continuar vivendo, porque é isso que temos de fazer, viver.
Mas, acima de tudo, apesar de já ter doído muito, eu percebi que vou continuar a amar...